Do luto à luta 2018-03-09T15:02:59+00:00

Do luto à luta

A Associação Férias Vivas surgiu a partir de uma dolorosa constatação pessoal: a negligência e a falta de infraestrutura adequada podem transformar em pesadelo os mais desejados momentos de lazer. Fala-se em tragédia e casos fortuitos, mas estamos aqui para provar que essas ocorrências são fruto da falta de planejamento, de consciência de cidadania, de descaso com a qualidade do serviço.

Da perplexidade partimos para a luta –  e hoje já contabilizamos um elenco expressivo de ações voltadas para a implantação de um turismo consciente, dando suporte e orientação tanto para o prestador de serviço como para o viajante.

Nossa caminhada iniciou há 15 anos. E para seguir em frente precisamos reunir o maior número possível de pessoas que compartilhem a certeza de que as coisas podem ser melhores, mais justas, mais sérias.

Faça parte desse movimento!

Buscando ajuda

Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT)

•Notou mudanças importantes, nos relacionamentos com os outros, com algum sofrimento ou prejuízo na sua capacidade de se concentrar e trabalhar, causando perturbação também em outras áreas importantes de sua vida?
• Teve recordações ou lembranças indesejadas sobre o evento, estando acordado, que causaram reações físicas, fisiológicas e sofrimento psicológico intenso? Ou teve sonhos indesejados, angustiantes e repetitivos, relacionado com o evento?
• Sentiu ou agiu como se tudo estivesse acontecendo novamente, como se fosse real (flashbacks)?
• Evitou lugares, situações ou pessoas relacionadas com o evento, para evitar sentir angústia e sofrimento?
• Tentou, persistentemente, evitar as memórias, lembranças, pensamentos e sentimentos angustiantes, ligadas ao evento?
• Percebeu alterações negativas no seu humor e nas cognições relacionadas ao evento, com fortes crenças negativas sobre si mesmo, os outros e o mundo?
• Notou grande diminuição de interesse em atividades que antes sentia prazer e gostava muito de fazer?
• Sentiu bastante dificuldade em lembrar os principais aspectos do evento?
• Notou dificuldades em sentir emoções positivas após o evento?
• Teve sentimentos de medo, raiva, vergonha e culpa, relacionados ao evento?
• Notou mudanças marcantes no comportamento, tendo surtos de raiva, irritabilidade, agressão física ou verbal, comportamento
imprudente ou autodestrutivo?
• Passou a ficar alerta e vigilante, com resposta de sobressalto exagerada e ter problemas para adormecer ou para manter o sono?
Caso tenha respondido SIM a várias das perguntas acima, você provavelmente está apresentando os sintomas de TEPT.
Entre em contato com um profissional para uma avaliação. A maioria das pessoas desconhece o diagnóstico, e sofrem em silêncio por muito tempo, sem receber tratamento adequado!
Leia Mais Aqui 

Juntos somos mais fortes

Silvia Basile – Associação Férias Vivas

Alessandra Begalli Zamora – Movimento Vai Lucas

Maria Ângela de Paula – Movimento Saltando com Saúde

Virginia Miranda – Campanha Cachoeiras Seguras

Paula Grechinski – ONG Parceiros do Mar

Memórias de amigos e familiares

Victória Basile Zacharias

“Faz um tempo já que quero escrever a história desse dia. Isso tem me atormentado um pouco, porque parece que é necessário colocar em palavras claras e precisas aquilo que é anuviado pelo tempo, o que não sai de forma clara no verbo ditado. A escrita pode me ajudar, pois posso escolher melhor o que por no papel, apagar, reescrever, e só com o resultado final em mãos escolher mostrar para alguém ou não. Mas escrevo para mim ou para os outros? Será que ao mostrar a um outro o que escrevo para mim, é para mim que estou direcionando a atenção desse outro, assim me satisfazendo? Às vezes, me dá vontade de ser visto e a história desse dia é muito importante para o que me tornei e o que me tornarei. Assim, escrevo para esclarecer em minha própria existência o que aconteceu em 15 de fevereiro de 2002, quase dez anos atrás. Escrevo também para que meus amigos saibam o que aconteceu comigo e me conheçam como quero que me conheçam. Estou um pouco vacilante nesse começo, não sei se devo escrever. Parece que estou com medo de ressuscitar certos fantasmas que estão muito bem enterrados”.

Bom, depois de uma enrolada e um cigarro, me vem à mente o momento em que estava sentado na cama do meu quarto no resort de Salinas do Maragogi, em Alagoas. Era carnaval, feriado pelo qual eu nunca tive muito apreço. Tinha viajado com minha família, tia e tio, mãe, padrasto, irmã. Padrasto que é quase um pai, ou é pai, mesmo que brigas adolescentes e inseguranças minhas me impeçam até hoje de lhe conferir esse título. Irmã que tecnicamente é meia-irmã, mas que sempre chamei de irmã, sem a assepsia que reservo ao padrasto. Victoria, filha do Fernando com minha mãe, tinha nove anos, e eu tinha dezesseis. Ela naquele momento estava sentada na cama comigo, e eu estava ensinando-a a jogar crapô. Apesar de ensolarado, o dia não era bom, eu estava enjoado e queria ficar no quarto. A Victoria me fazia companhia, da mesma forma que eu já havia sido muitas vezes seu companheiro.

Lembro de uma outra viagem, em um julho mais distante, num resort também, quando viajamos com tia, tio e prima, sem pais. E era aniversário da Victoria, que estava extremamente triste nesse dia 24 no qual ela completava 8 anos distante de papai e mamãe. Fiquei com ela o dia inteiro e no dia seguinte ela já tinha feito uma amiguinha e a tristeza havia se dissipado. Lembro também de ter ensinado a ela como andar de patins, jogar videogame e escutar Saltimbancos. Apesar das constantes brigas e manhas, nós brincávamos muito.

Algum tempo passou e aquele jogo de crapô, já pouco interessante, foi abandonado para que a Vivi pudesse ir ao passeio a cavalo oferecido pelo resort. Era a segunda vez que ela ia nesse passeio, ela tinha gostado bastante, e eu fiquei no quarto com meu enjôo e a TV.

Meu pai, de sangue, morreu quando eu tinha quase dois anos. Câncer de pele, desses que espalha e te destrói por dentro. Não tenho nenhuma memória dele, só sei que quando tinha uns 10, 11 anos, passei a ter crises de ansiedade, que foram relacionadas a um luto tardio pela minha psicóloga. Aos 12 comecei a tomar anti-depressivos para controlar a ansiedade e fazia terapia constantemente. Viajar, estar longe de casa, era um suplício para mim, pois quando conseguia partir, tinha ataques de pânico na viagem e queria voltar. No Reveillón de 2001 para 2002 eu quase perdi uma viagem com um novo amigo por causa disso.

Uma ou duas horas se passaram quando minha mãe e o Fernando entraram correndo no quarto. Assustei. Eles estavam revirando as malas, atrás de documentos e dinheiro. Claramente desesperados, me falaram que a Vivi tinha caído do cavalo e estava a caminho de um hospital. Saíram correndo e voltei a ficar com o meu enjôo.

Besteira, pensei. Deve ter batido a cabeça e foi levada para o hospital por precaução. Nada demais. Me distraí com a TV, sem pensar muito no que poderia ter acontecido. Não me passava pela cabeça a possibilidade de que aquele momento no qual me despedi da minha irmã para que ela fosse no passeio à cavalo tinha sido a última vez que falaria com ela.

Distraído, não vi o tempo passar. Foram duas horas até a dúvida bater na minha cabeça como uma bigorna. E se. E se algo mais sério tiver acontecido. E se ela tiver ficado paraplégica, estar em coma. E se ela tiver morrido. Não, isso não era possível, eu mesmo já caí do cavalo em nossa fazenda tantas vezes, assim como meu irmão, que nesse momento estava em São Paulo. Já quase morri com um touro me perseguindo, tenho um primo, na verdade filho da minha madrinha, que tomou um coice de um cavalo quando criança e nada mais grave tinha acontecido. Fiquei inquieto, nervoso, ansioso, e saí do quarto a caminho da recepção do hotel, onde encontrei minha tia. Ela estava de plantão na recepção, aguardando um telefonema. No caminho, passei por um funcionário do hotel que tinha ido ao meu quarto me chamar.

Na recepção, aguardando notícias com a minha tia, cruzei com o monitor do passeio a cavalo e o gerente do hotel, que tinham mandado o funcionário me chamar. Eles conversaram comigo e disseram que minha irmã tinha sido levada para o Recife, capital pernambucana a 133 quilômetros de distância. Estávamos em Alagoas, porque não Maceió? Porque tão longe? Não me lembro de ter essa pergunta respondida, mas lembro de dizer que ela devia apenas ter batido a cabeça e que não seria nada demais. Recordo-me bem de não ter obtido qualquer resposta a isso.

Nervoso, sentei do lado da minha tia e aguardei um pouco, quando o telefone da recepção tocou. Sabia que eram notícias da minha irmã. Minha tia foi chamada ao telefone. Ela colocou o fone no ouvido, ficou em silêncio, e exclamou. Morreu? Nunca estive tão pesado. Minhas pernas fraquejaram e eu caí no chão, chorando. Gritando, urrando, me esgoelando. Só o chão me impedia de cair a uma profundeza inimaginável. Morreu. A palavra não parava de ressoar. Até hoje. Não era possível. Tinha mudado de dimensão, a realidade havia sido desfeita, rasgada. Me levaram para um salinha. Não tenho a menor noção cronológica daí pra frente. Sei que estava absolutamente arrasado, prostrado. Meu enjôo se transformara em diarréia e eu fui ao banheiro. Nada disso estava acontecendo.

Resolvi que precisava falar com o meu irmão. Antes, minha tia ligou para o meu primo e o orientou a ir para nossa casa em São Paulo oferecer apoio. Liguei para meu irmão, e a piada do gato que subiu no telhado me veio à cabeça. Sem maneira possível de amaciar a notícia, falei pausadamente que a Victoria tinha ido a um passeio de cavalo, tinha caído, sido levada ao hospital e morrido. Ele começou a chorar e sua namorada, atual esposa, pegou o telefone e me perguntou o que tinha acontecido. Disse, sem rodeios, que a Victoria tinha morrido e desligamos o telefone.

Não existe nada pior do que as questões práticas que surgem numa situação dessas. Quando tudo o que você quer é desaparecer. Sumir. Desmaiar. Eu estava torcendo para desmaiar e não ter que lidar com nada disso. Me levaram até meu quarto e me disseram que eu tinha que fazer as malas para ir para o Recife. Estava desesperado e absolutamente sem condições de fazer qualquer coisa senão ficar deitado na cama gritando e chorando. Foi quando o Médico chegou. Um cara grande, gordo, de branco, acompanhado de uma enfermeira. Ela mediu minha pressão e meus batimentos. O Médico me disse algo que me tirou do círculo vicioso de desespero. Ele foi curto, grosso e bem filho da puta. Por um tempo eu fui agradecido. Hoje, acho que a atitude dele foi muito escrota. Ele disse que tinha na mão um calmante, me mostrando a ampola e a seringa, e que se eu quisesse me aplicaria a injeção e eu dormiria. Me aplica agora essa merda, pensei. Porém, ele continuou dizendo que minha família precisava de mim naquele momento e caso eu estivesse apagado, eu seria mais um problema, ao invés de um apoio.

Instantaneamente parei de chorar. Assumi a postura de super-herói que me custaria tão caro mais adiante. Levantei da cama e comecei a jogar todas as nossas roupas de qualquer jeito nas malas. Separei uma calcinha, um vestidinho branco e um par de sandálias para a Vivi usar e entrei numa van acompanhado da minha tia e tio, enfermeira e motorista. Estava sério, tendo minha pressão medida a cada 10 minutos. Mudo, não vi o tempo passar, e cheguei a um hotel chique do Recife.

Esperando na recepção, vi quando minha mãe e o Fernando chegaram do hospital. Minha mãe pedia para uma mulher que estava ao seu dispor que comprasse um maço de Marlboro vermelho para ela. Chorando, cada um me abraçou. Só me lembro com precisão do que o Fernando me disse. Você viu o que fizeram com a minha filha? Você viu o que fizeram com a Vivi? Subimos para o quarto. Eu não chorava, nem falava muito. Passei aquela noite em claro. Minha mãe, quando fumava na janela, tinha o meu braço entre seu corpo e a queda de 11 andares. Eu não pensava em nada, só agia. Minha mãe, revirando a mala, jogando tudo para fora, bagunçado, chorando, atrás de seu nécessaire para tomar banho, ficou gravado na minha memória como uma das cenas mais tristes que já vi. Ela é uma mulher extremamente organizada e ordeira. Na minha frente, estava uma mulher que havia perdido uma filha e se transformado. Pedi desculpas pela bagunça da mala.

Na manhã seguinte eles foram para o IML. Anos depois, fui saber que foi absolutamente terrível ver o corpo nu e desfigurado de minha irmã na fria mesa de metal. Agradeço muito por não ter testemunhado isso e nem a queda em si, que como descobri tempos depois também, se deu devido a um susto levado pelo cavalo, que disparou fazendo minha irmã cair. A sela, destinada a adultos, tinha sido improvisada para levar a Vivi, e foi o improviso no estribo que prendeu seu pé e fez com que ela fosse arrastada por centenas de metros até o cavalo parar. Não sei, mas torço muito para que ela tenha desmaiado logo na primeira queda, não tendo vivenciado ser arrastada e machucada por um animal muitas vezes mais forte que ela. Não consigo imaginar a dor, o medo e o desespero que ela poderia ter vivido nesses momentos, e espero até hoje que sua morte tenha sido rápida e o desespero se limitado ao tempo entre a percepção de que iria cair e o encontro com o solo.

Fiquei no quarto assistindo as olimpíadas de inverno. Curling, esqui. Estava anestesiado, não sentia, não ouvia, não falava. Não sei quanto tempo passou até irmos para o aeroporto.

Disse acima que não existe nada pior do que as questões práticas que surgem numa situação dessas. Mentira, existe sim. Existem pessoas estúpidas. Pessoas que não sabem controlar sua própria angústia frente à morte e falam um monte de merda pra quem está sofrendo. No aeroporto, uma mulher chegou para a minha mãe e disse, como se fosse a minha irmã, que ela estava bem, mamãe, que ela estava no céu. Puta que o pariu, isso até hoje me dá raiva. No enterro e na missa, as pessoas diziam que a Vivi tinha ido para um lugar melhor, que ela estava junto a Deus, que ela tinha cumprido sua missão na Terra, que pelo menos minha mãe ainda tinha dois filhos. Pessoas que perderam uma ótima oportunidade de ficarem quietas. Foram poucos os sábios que simplesmente falaram sinto muito, se precisar estou aqui.

No vôo para São Paulo, com o caixão de minha irmã junto às malas, tive a pior viagem de avião da minha vida. Não bastasse o sofrimento óbvio, a turbulência, a falta de sustentação que fez o avião perder altitude repentinamente e a aeromoça correndo com um extintor de incêndio em direção ao banheiro fizeram com que eu desenvolvesse um medo ainda persistente de voar. Ganhei uma homeopatia da minha vizinha de assento. Não sei se foi seu remédio ou seu acolhimento que me fizeram acalmar.

Chegando a Congonhas, desci do avião e vi meu tio, irmão do Fernando, fora da seção de desembarque, como se fosse um funcionário da pista. Não sei como ele conseguiu ir até lá. Ele nos abraçou e junto com o Fernando foram cuidar do caixão. Saí pelo desembarque e encontrei toda a minha família, chorando e nos abraçando. Abracei meu irmão e finalmente eu me soltei mais uma vez. Não chorava nem falava desde meu encontro com o Médico. Não fazia nem 24 horas, mas parecia muito tempo. Pedi ajuda, disse que tinha segurado uma puta barra que ele agora tinha que dividir comigo. Um amigo dele, o Neto, me levou para casa, onde eu tomei banho e me arrumei para o velório.

No Araçá, com o velório cheio, buscava um espaço. O que fazer. Resolvi ir até o caixão. Encontrei muitas flores e coroas, deixadas por familiares, amigos e empregados atuais e antigos de nossa casa. A irrealidade de uma criança morta mobiliza muito. Não é um avô já doente, ou velho. É uma criança apenas, é muito brutal, muito irreal. Me aproximei do caixão fechado e vi algo que não esperava. Tinha uma janelinha. Uma porra de uma janelinha sobre o rosto da Vivi. Congelei. Eu gritava internamente, querendo sair correndo dali, mas meu corpo não respondia. Parecia que eu estava cindido. Vi sua face. Ela estava pesadamente maquiada. Percebi que a base escondia machucados em seu rosto e disfarçava um band-aid. Ela vestia o vestido que eu tinha escolhido. Ela estava machucada, e seu rosto sem vida estava sério. Finalmente consegui sair dali, saí para a rua e comecei a chorar engasgado. Meu primo tentava me controlar, sem sucesso. Um tempo depois, sentado do lado de fora, enjoado, a massagista da minha mãe veio conversar comigo e colocou sua mão na boca do meu estômago. Senti sua mão muito quente e de repente levantei com ânsia de vômito. Um amigo da família me acompanhou até o banheiro onde vomitei muito.  Me sentindo destruído mais uma vez, vi um amigo chegando. Ele morava perto do Araçá e veio me abraçando e chorando.

Nesse dia, eu tinha ligado para um dos meus novos amigos do Santa Cruz para contar o que tinha ocorrido. Minha pretensão era inocente e de baixa expectativa. Conhecia fazia muito pouco tempo essa turma com a qual formei um time de futebol no Colégio. Os Dez, que mais tarde virariam os Onze, eram amigos novos. E quando liguei para um deles, expliquei que somente queria evitar um mal-entendido, para que ninguém falasse da minha irmã numa brincadeira somente para descobrir depois que ela estava morta. Não esperava que ninguém aparecesse. E um a um, e em grupos, eles foram ao velório. Me levaram para comer no Burdog, me deram apoio. Eu sorri quando vi o Mauro, o primeiro a chegar, com seu choro e abraço.

O tempo foi passando e o que aconteceu dali em diante já é compartilhado. A missa de sétimo dia foi lotada, com centenas de pessoas, e foi terrível ficar de pé para cumprimentar todas e ouvir um monte de merda, como eu já falei. Recebemos muitas visitas em casa, eu voltei às aulas, à terapia, ao psiquiatra. Minha ansiedade foi às alturas, eu tinha ataques de pânico constantes. Os Onze insistiam em me tirar de casa, me levar para viajar, me suportaram durante meus ataques de pânico, meus medos, minhas ansiedades, minhas loucuras. Devo muito a eles. Tive desde pensamentos suicidas até uma vontade quase incontrolável de fazer cortes em meus braços com uma faca de cozinha. Minha casa estava em frangalhos, eu também. Foi com o tempo, apenas, que as coisas foram melhorando. O tempo, não o cronológico, que foi aos poucos fazendo a ferida fechar. A dor da perda se transformava em força, a ansiedade encontrou um escape criativo.

Mas eu envelheci. Minha mãe, o Fernando, meu irmão. Todos nós envelhecemos muito. Acho que não seria possível não envelhecermos. Saudade envelhece, diz Rosa. Perde-se a inocência de que tudo vai dar certo, a invulnerabilidade da juventude. Até hoje, sempre que meu telefone toca tarde da noite, ou alguém me liga insistentemente, penso que algo ruim aconteceu. Às vezes, ouço risadas e penso que são choros. Sou gato escaldado. Aprendi pela experiência que algo ruim pode acontecer a qualquer momento, de repente, sem aviso. Essa cicatriz ficará para sempre, é inevitável. Sempre haverá a falta, a saudade, o que poderia ter acontecido. Como ela seria hoje, com 18 anos, quase 19. Em formaturas e casamentos, penso na formatura e casamento que não vão acontecer. Nas festas, nas viagens e nos shows, penso na diversão e na beleza que não foi vivida.

Hoje a carrego em meu braço, para sempre, no formato de sua marca registrada, o cabelo cacheado agora tatuado em minha pele. Fica para mim a responsabilidade de viver como for possível e assim honrar minha irmã, que teve sua vida ceifada tão precocemente.

21/06/2011

“A Menina que Vive
Foi numa tarde de sexta feira após um jogo de buraco
Que me despedi pela última vez
Não sabia que seria a última
Ela a caminho do passeio a cavalo
Eu no quarto com náuseas
O enjoo prenunciava a catástrofe
O desastre
O tempo parou
O mundo parou
Eu prostrado no chão
Há quinze anos uma menina caía do cavalo
Não tinha uma década de vida
Minha dor é mais velha que ela
Há quinze anos abriu-se um talho em mim
Destino cruel com uma faca fria
Não fez cerimônia nem se preocupou com os meus planos
Demorou anos para um mês passar
Foram décadas tentando fechar o talho com linhas de costura
Todas se romperam
Só o tempo foi mais poderoso que a dor
Antes ela me jogou de cara no chão
Hoje eu a carrego por aí
A menina que mudou a minha vida
Se foi há quinze anos
Mas vive marcada na minha pele
A menina que não fica mais velha
Vive em todas as minhas alegrias
Se transformou em força e inspiração
A menina que gostava de patins
Fazia bijuterias e jogava videogame
Ainda hoje se faz presente na saudade
A menina manhosa
A menina companheira
A menina curiosa
A menina dos cabelos cacheados
A menina que vive
A Vivi”
por Daniel Pucci, irmão de Victoria Basile Zacharias

Bruno Bissoli

“Venho por meio desta, denunciar o acidente fatal ocorrido em 14/04/2017 na Cachoeira dos Couros, localizada na Chapada dos Veadeiros, em região integrante do Município de Alto Paraíso de Goiás, no Estado de Goiás. Em razão de diversas irregularidades observadas no local e falhas imputáveis a diferentes responsáveis, conforme a seguir relatado, o jovem Bruno Cesar de Azeredo Bissoli se afogou nas águas da cachoeira em um trecho de acentuada profundidade e acabou falecendo. O fato ocorreu ao longo de um passeio realizado por Bruno juntamente com um grupo de amigos e outros turistas que contavam com a orientação de um guia de turismo associado à Associação de condutores de visitantes da Chapada dos Veadeiros.
A contratação do passeio foi feita com o guia Rivelino, que combinou de levá-los a várias cachoeiras ao longo de 4 dias do feriado de Páscoa deste ano, cobrando um valor total de R$180,00 por pessoa. A princípio o grupo sob responsabilidade do Guia Rivelino para o passeio na cachoeira dos Couros em 14/04/2017 era formado por 10 pessoas, porém ao iniciar a viagem de 30 km até o local da trilha ele incorporou mais 2 pessoas, totalizando 12 turistas sob a sua exclusiva responsabilidade”.

Chegando ao local do passeio, os veículos foram estacionados e foi cobrada uma taxa de R$ 5,00 por pessoa. Na sequência, o grupo com as 12 pessoas iniciou uma trilha de difícil acesso e com aproximadamente 2800 metros até a chegada da penúltima cachoeira que compõe o completo da Cachoeira dos Couros, uma antes do Grande Cânion. Ao avistarem a cachoeira, o guia pediu a todos que descessem dela pelas pedras e adentrassem na água. Todos os 12 integrantes do grupo então entraram na água, nadaram e mergulharam no Rio.

Em determinado momento o guia Rivelino propôs aos integrantes uma atividade mais radical, que seria ir até a garganta da cachoeira com uma queda de aproximadamente 20 metros de altura com um forte fluxo de grandes volumes de água, a fim de que fizessem um mergulho ao lado do poço central da queda d’água, com 17 metros de profundidade.

Segundo orientação do guia, era preciso nadar pelo poço da cachoeira para que a corrente do outro lado arrastasse as pessoas de volta pelo curso do rio, até um “escorregador” de águas naturais que deveria levá-los de volta ao local de partida. O escorregador nada mais era do que uma plataforma de pedras acima do leito do rio, naquele trecho.

Apenas um grupo de 6 pessoas, todos homens, devidamente acompanhados pelo guia fizeram essa atividade, entre eles o Bruno.

Após o término dessa atividade, o grupo se reuniu em outro local ainda dentro do Rio enquanto se preparavam para um lanche. Nesse momento, o guia se ausentou do local para preparar seu próprio lanche, sem nenhuma instrução explícita ao grupo para que aguardassem o seu retorno antes de retomar as atividades na Cachoeira dos Couros.

Nesse momento de ausência do guia, o Bruno resolveu voltar ao local da atividade do “escorregador” junto com outro jovem chamado Pedro Pires Amorim, sem receber qualquer alerta por parte do guia para que não se dirigisse ao local. Fazendo novamente o trajeto que lhes acabara de ser ensinado pelo guia, Bruno e Pedro mergulharam exatamente no local onde a correnteza do “escorregador” deveria levá-los até o ponto de partida, junto ao grupo, porém somente Pedro retornou junto ao grupo pela correnteza. Bruno, mesmo realizando a manobra ensinada pelo guia imediatamente após Pedro, não foi mais visto pelo grupo e desapareceu nas águas do poço da cachoeira, que possui 17 metros de profundidade.

Após o retorno de Pedro junto ao grupo todos perguntaram por Bruno, quando Pedro percebeu que Bruno não estava logo atrás dele. Nesse momento, o guia já estava em estado de desespero e, pela primeira vez, mencionou ao grupo que Bruno e Pedro não deveriam ter voltado ao local da garganta da cachoeira sem seu conhecimento. Diferentemente dos demais integrantes do grupo, o guia tinha conhecimento sobre as reais condições do local e a sua reação de total desespero indicou a todos que algo realmente grave poderia ter acontecido com o Bruno. Tal reação, somada à experiência do guia resultante da exploração comercial do turismo da região, deixou claro ao grupo e a outros turistas que estavam no local de que ele tinha ciência do grande perigo, inclusive risco de vida, a que todo o grupo estava exposto ao nadar naquela região, especialmente para fazer a manobra do “escorregador” por ele ensinada.

A única reação imediata do guia foi ficar paralisado e falar que o Bruno não deveria ter voltado ao local. Uma das meninas integrantes do grupo, chamada Stella, solicitou que Rivelino, sendo o guia responsável pela segurança de todos os integrantes do grupo, ao menos fosse até o local para tentar resgatar Bruno. Apesar disso, o guia só conseguiu chegar até lá vários minutos depois e sem nenhuma ação, retornou e pediu ajuda para outras pessoas, pois neste momento Mariana Vilella (esposa de Bruno) estava desmaiada e o grupo todo já estava em pânico.

Dois turistas voltaram até o início da trilha para pedir ajuda e chamar os bombeiros. Os primeiros integrantes do Corpo de Bombeiros foram chegar ao local apenas 4 horas depois do ocorrido, pois não existe destacamento próximo ao local e nem na cidade de Alto Paraíso. A equipe que atua dentro do Parque da Chapada dos Veadeiros está baseada a 200 km de distância, na cidade de Minaçu.

Temos a informar ainda que o CAT (Centro de Atendimento ao turista), não apresenta nenhuma estrutura de atendimento para pessoas vítimas dessas situações traumáticas, a exemplo da esposa Mariana que foi levada para lá depois do acidente e ficou totalmente abandonada, sem nenhum cuidado que a situação exigia. Enquanto a Mariana estava no local, os integrantes do CAT ignoram completamente a delicada situação do momento e se limitaram a continuar fornecendo informações ao turista que ali apareciam, incluindo informações sobre o passeio da Cachoeira dos Couros, sem fazer qualquer ressalva quanto às questões de segurança que deveriam ser observadas mesmo após a ocorrência do afogamento de Bruno.

Os bombeiros encerraram as buscas por volta de 17h e retomaram-nas apenas no outro dia, comigo, Mauricio Vilella, sogro do Bruno, somente por volta das 12h. Essa demora para a retomada das buscas se deve ao fato de que o destacamento não possuía cilindros para mergulho que tiveram de que ser trazidos do município de Formosa, retardando o início da operação de resgate.

Por volta de 12h30 do dia 15/04/2017, o corpo de Bruno foi localizado a uma profundidade de 11 metros no poço da Garganta da Cachoeira. A retirada do corpo da água foi possível apenas por meio da ajuda de todos os bombeiros que estavam presentes e também da minha ajuda. Para o deslocamento até o início da trilha, local em que deveriam aguardar os responsáveis do IML, foi necessária não apenas o meu apoio e dos bombeiros, mas também de outros homens que tive que contratar no local para ajudar a levar o corpo e os equipamentos do resgate ao início da trilha. Após chegar ao local indicado pelos bombeiros no topo da trilha, fiquei ao lado do corpo pelo período de 5 horas até que um funcionário do IML chegasse ao local.

A Sra. Chálita, responsável pelo veículo do IML de Campos Belos (pois em Alto Paraíso de Goiás não há IML), informou, ainda no local, que não poderia levar o corpo para Campos Belos, pois não havia médico legista, então teria que removê-lo para o IML de Formosa, localizado a 200 km de distância. A Sra. Chálita informou ainda que o traslado para São Paulo teria que ser realizado ainda naquela noite, pois não havia espaço na geladeira do IML e o corpo, portanto, ficaria sob risco de decomposição. Além disso, o tratamento dado pelo IML ao corpo foi inadequado, já que nem todos os órgãos que deveriam ser retirados o foram, o que gerou ainda mais dificuldades ao longo do trajeto de transporte para São Paulo.

Para fazer o translado e o sepultamento, seria necessário ainda obter no Cartório de Alto Paraíso uma Declaração de Sepultamento. Todavia, o cartório não estava aberto nesse final de semana, e não havia nenhum funcionário de plantão, o que é obrigatório e deveria ter sido cumprido.

Outro fato grave é que não existe Delegacia de Polícia Civil que funcione aos finais de semana no local, não havendo nem mesmo plantonistas. Procuramos a Polícia Militar, porém esta se recusou a tomar qualquer providência, informando que deveríamos fazer o boletim de desaparecimento de uma pessoa, pela internet. O boletim foi então feito pela internet, com a ajuda da secretaria de turismo, Andréia Lopes no centro de Atendimento ao Turista, que forneceu alguns dados para confecção do BO (ex. endereço correto do local do acidente, nome completo do guia, etc).

Sem geladeira para manter o corpo no IML de Formosa, sem cartório e sem delegacia, tivemos que apelar para amigos, políticos e demais pessoas ao nosso alcance, na tentativa de obrigar as autoridades a cumprirem sua função, especialmente a Prefeitura a abrir o Cartório para formalização dos documentos necessários para transportar o corpo e conduzir o sepultamento. A abertura do cartório ocorreu apenas na manhã do dia seguinte, 16/04/2017, após a ameaça de denúncia à corregedoria.

Após todo esse transtorno e tempo perdido, não conseguimos mais remover o corpo por via aérea devido à burocracia envolvida e aos impactos que o transporte aéreo poderiam ter no corpo, dado seu estágio de decomposição. A única alternativa possível foi realizar a viagem pela via terrestre. Assim, após uma longa viagem de 13 horas de automóvel, na qual eu acompanhei o motorista da funerária, meu genro foi sepultado na Cidade de Rio Claro, estado de São Paulo, no dia 17/04/2017.  Em razão da falta de estrutura do IML e de todos os problemas relatados acima, foi necessário antecipar o horário do sepultamento das 16h para as 13h, em virtude do acelerado estado de decomposição do corpo.

Porque Aconteceu

Primeiramente porque um local de altíssimo risco, com histórico de outras mortes, jamais deveria ser roteiro de visita com a prática de mergulhos, especialmente sem que seja feito qualquer tipo de orientação sobre os riscos existentes no local.

Segundo, não existe nenhuma sinalização ou informação do perigo de morte em uma Garganta da Cachoeira com 17 metros de profundidade e sua violenta correnteza.

Terceiro, não existe nenhuma estrutura de segurança no local como guarda vidas, coletes salva vidas, materiais de primeiros socorros e pessoas preparadas para emergências.

Quarto, o CAT (Centro de Apoio ao Turista, órgão da Prefeitura), não poderia fornecer informações sobre passeios sem alertar sobre os riscos oferecidos pelas atividades, como dificuldade da trilha e perigo de morte na Garganta da Cachoeira, e também sem certificar-se se o guia responsável pelo grupo teria qualificação para a tarefa e condições de avaliar e informar os turistas sobre os riscos envolvidos no passeio.

Quinto, o Guia Turístico Rivelino, que acompanhou o grupo, deveria ter sido categórico ao informar aos turistas os riscos de afogamento envolvidos na atividade de manobra do “escorregador” e deveria, no mínimo, ter solicitado explicitamente que os turistas não tentassem essa manobra sem o seu acompanhamento a todo o tempo. Adicionalmente, dada a sua responsabilidade pela segurança do grupo na qualidade de guia turístico, ele não deveria ter deixado o grupo sem supervisão dentro do rio dos Couros. A conduta do guia ainda tem o agravante de que o seu serviço foi prestado fora dos padrões das normas da ABNT que regulam a atividade, pois ele acompanhava, sozinho, um grupo de mais de 10 integrantes.

Sexto, a cidade de Alto Paraíso não possui a mínima estrutura para receber esse número elevado de turistas, agravado pelo fato de aos finais de semana e feriados (maior frequência de turistas), não contar com Delegacia de Polícia Civil aberta, Cartório com plantonista, Destacamento de Bombeiros, além de IML e médico legista, em detrimento de possuir um número tão expressivo de acidentes graves e fatais.

Requerimento

Em vista dos acontecimentos acima descritos, peço que providências sejam tomadas com relação a todas as irregularidades verificadas na atuação das instituições, autoridades e prestadores de serviços mencionados, incluindo, sem limitação, medidas necessárias para responsabilizar o Guia Rivelino e a Associação de condutores de visitantes da Chapada dos Veadeiros  por sua conduta nos âmbitos civil, criminal, e administrativo.

Sem mais,

Mauricio Vilella

Carlos Pita

“Esperamos dos órgãos competentes, que fiscalizem os parques abertos ao público, destinados a ecoturismo e turismo de aventura, trilhas (trekking) e passeios em cachoeiras, que exijam sinalização de perigo nas trilhas precárias e nos pontos mais perigosos à vida humana, que exijam equipes de funcionários treinados a dar informações sobre os pontos perigosos ou mesmo impedir o acesso, que existam equipes de resgate permanentes e, muito importante: controle responsável na entrada e na saída dos parques.
Iniciamos a Campanha #cachoeirasseguras após uma trágica e dolorosa realidade:
No dia 23 de dezembro de 2016, o jovem professor de Física Carlos Brasileiro Pita (31 anos) foi tomar um banho de cachoeira. Escolheu a do Indaiá, por ser a mais próxima de Brasília, pensava em passar a tarde e voltar para casa (o local chama-se Fazenda CITATES, é composto de extensa área com várias cachoeiras denominadas Indaiá, Itiquira, Véu de Noiva etc). Chegou, estacionou, preencheu formulário de entrada, deixando como contato o nome e telefone de seu pai, PAGOU a entrada, entrou e não saiu mais. Escorregou numa trilha, caiu e bateu com a cabeça”.

Como caiu ficou, até ser encontrado sem vida 4 dias depois pelos bombeiros e policiais que realizavam a busca, atendendo o pedido de socorro da família que há 4 dias o procurava em Brasília, desconhecendo seu paradeiro, acionando órgãos públicos competentes.
No entanto, o carro do nosso filho Carlinhos ficou estacionado no mesmo local, durante 4 dias, bem na entrada da cachoeira onde cobraram e registraram sua entrada, sem que nenhum funcionário do parque tomasse qualquer providência de identificação e comunicação com o contato registrado na entrada. Ali e em várias outras cachoeiras, o controle é só na entrada, na hora de arrecadar. Passou dali, nada mais se tem… nenhuma sinalização adequada de trilhas (na Cachoeira do Indaiá existem relatos de que muitas delas são precárias e improvisadas), nenhuma segurança, nenhuma vigilância, nenhum controle de saída… NADA. Apenas o mercantilismo sem regras nem pudor. Nosso filho, Carlos Pita, nunca mais irá à nenhuma outra cachoeira, nunca mais voltará à vida. Mas, não podemos deixar que esta prática ilegal e sem o menor controle, se perpetue.
Queremos segurança, controle e respeito em todos os parques e locais de turismo de aventura que cobram entrada. Queremos que todas as pessoas, jovens, crianças e adultos, apreciadores da Natureza, possam ter mais sorte do que Carlinhos. Queremos que todos possam desfrutar com segurança, de seus hábitos saudáveis, de suas paixões, de seus hobbies.
Queremos que o funcionamento desses ditos “parques” seja regulado e siga os mesmos padrões de segurança e controle praticados nos Parques Oficiais, que seguem regras devidamente estabelecidas pelos orgãos competentes, cujo não cumprimento está sujeito à sanções e multas.
Não queremos que outras famílias passem pelo que passamos, aguardar 4 dias para descobrir que ele estava caído sem vida na propriedade, enquanto seu carro esteve estacionado lá durante todo este período e seu nome e contatos registrados na portaria. Teria sido muito menos doloroso para nós termos recebido um telefonema ao final do dia 23, ou no dia seguinte, avisando que o carro estava abandonado e nosso filho desaparecido naquele parque. Hoje foi nosso filho. Mas e amanhã, quem será o próximo? Não queremos que outros pais e mães passem pelo que estamos passando. Não queremos mais escutar outras tantas noticias assim… Queremos #cachoeirasseguras.
Na imprensa são frequentes e inúmeros os registros de acidentes fatais com jovens e na Cachoeira do Indaiá outro jovem (27 anos) escorregou e morreu, no mesmo lugar do nosso filho Carlos Brasileiro Pita, apenas 15 dias após sua morte. Este parque precisa ser fiscalizado.
Vários países têm se mobilizado para fiscalização e controle destes parques naturais destinados à visitação pública, sejam eles governamentais ou propriedade privada, devido à alta incidência de mortes entre jovens visitantes.
O Brasil é um país riquíssimo em quedas d’água e cadeias de montanhas propícias a trilhas, que vêm sendo exploradas financeiramente pela indústria do turismo, e precisa urgentemente de mais controle e fiscalização oficial.
Vamos tocar esta Campanha. Chega de descaso com a vida humana em parques de turismo ecológico ou de aventura!

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