SR. AGENTE DE VIAGEM: PROTEJA SEU CLIENTE !
por Renata Romeu * e Ieda Maria A. Lima * Ao contratar
os seus serviços, o cliente busca facilidade e eficiência
no planejamento da viagem, visando à otimização
de seu tempo de lazer, confiando a você a escolha dos melhores
prestadores de serviços, e, acima de tudo, a garantia de
sua segurança. Para corresponder a essa expectativa e para
estar apto a responder aos questionamentos dos clientes, é
imprescindível ao profissional, a elaboração
prévia de um roteiro para informar-se sobre os prestadores
de serviço.
Operadoras e agências de viagens são responsáveis
pela segurança e integridade física de seus clientes,
submetendo-se às disposições do Código
do Consumidor, uma vez que operam na modalidade de "prestação
de serviços" ao consumidor final. O CDC estabelece,
no seu artigo 6°, como direito básico do consumidor,
"a proteção à vida, saúde e segurança
contra os riscos provocados por práticas no fornecimento
de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos".
Há perfeita consonância com a Constituição
Federal que garante a todo cidadão, a inviolabilidade do
direito à vida e a segurança (art. 5°, "caput")
Essa responsabilidade não se restringe a lesões
causadas pelas operadoras e agências de viagens, mas se
estende às lesões causadas em decorrência
de serviços prestados durante a viagem, por terceiros intermediados
e que fazem parte do "pacote turístico", além
de responder também, por atos de seus funcionários,
prepostos ou terceirizados.
Assim, se um hóspede sofre lesão por queda em hotel,
o consumidor, a seu critério, pode acionar judicialmente,
pleiteando indenização por danos materiais e morais,
tanto o hotel, como a operadora que incluiu aquele estabelecimento
no "pacote", como também a agência de viagens
que lhe "vendeu" o "pacote". Pode, inclusive,
acionar todos conjuntamente.
Opera-se o que se denomina "solidariedade", respondendo
todos os que fazem parte da cadeia comercial, por eventuais danos
causados ao consumidor (arts. 7°, 25 § 1° e 34 do
CDC).
Para evitar a ocorrência de acidentes, é imperioso
que operadoras e agências selecionem criteriosamente as
empresas e pessoas que deverão prestar os serviços
turísticos, visitando-as "in loco" e mantendo
um cadastro atualizado.
A Associação Férias Vivas, ONG sem fins
lucrativos e que tem por objetivo a Segurança e prevenção
de acidentes em atividades de recreação, lazer e
turismo, recomenda:
- Verifique a existência de sistema de gestão
de segurança, com planejamento, programação,
e controle das tarefas. Isto agrega profissionalismo, transparência,
confiança e credibilidade como base para a qualidade
do serviço;
- Pergunte se há mecanismos de transferência que
incluam contratos de seguros e parcerias técnicas especializadas;
- Informe-se sobre a infra-estrutura existente, que deve ser
implementada com o intuito de proporcionar mais qualidade, salubridade
e segurança aos usuários, e deve também
estar em constante manutenção preventiva.
- Avalie se a estrutura física é compatível
e se os equipamentos se encontram em perfeito estado de funcionamento;
- Indague sobre os recursos humanos contratados; faça
muitas perguntas sobre a seleção dos profissionais,
colaboradores e monitores que estarão à disposição.
Todos os profissionais envolvidos devem estar preparados para
contribuir para a segurança e bem-estar dos hóspedes
e receberem treinamento periódico;
- O condutor ou monitor quando assume um grupo, assume a responsabilidade
pelos riscos a que as pessoas serão expostas; assegure-se
de que eles informem e orientem sobre os riscos envolvidos,
tomando as precauções necessárias para
prevenir acidentes;
- Questione se o condutor tem conhecimento de primeiros socorros;
se tem em seu poder, para pronto uso, materiais necessários
e adequados; e - muito importante - se estes profissionais passam
por um curso de reciclagem de práticas de primeiros socorros
e qual a periodicidade.
- Certifique-se de que há um plano de atendimento as
emergências, com transporte próprio, com sistema
de comunicação interna, e socorro externo (público
ou privado) a ser acionado em casos de emergência;
- Verifique, também, se há um profissional preparado
para administração do plano de emergência
e se os materiais e o treinamento estão adequados aos
riscos das atividades de lazer desenvolvidas.
A maior parte dos hotéis e pousadas possuem diversas atividades
e equipamentos de recreação e entretenimento. Para
não expor seus clientes a riscos e evitar problemas mais
sérios, a Associação Férias Vivas,
ONG sem fins lucrativos e que tem por objetivo a segurança
e prevenção de acidentes em atividades de recreação,
lazer e turismo, recomenda:
- Para todos os serviços de lazer oferecidos verifique
se os profissionais têm experiência comprovada na
atividade;
- As atividades devem ser planejadas de acordo com as instruções
de cada segmento da demanda e levar em consideração
as características individuais dos clientes (condição
física, idade, habilidades). Abaixo, algumas dicas específicas,
que você deve conferir:
ARVORISMO
Deve haver acompanhamento profissional especializado durante
a montagem e a operação e preocupação
na escolha dos materiais adequados, na capacitação
de equipe e na operação da atividade, visando a
garantir segurança e tranqüilidade.
BRINQUEDOS E PLAYGROUNDS
Indague se estão de acordo com a norma NBR 11786/92 e NBR
14.350 da ABNT (Associação Brasileira de Normas
e Técnicas) que prevê uma série de ensaios
de conformidade dos brinquedos; se há produtos certificados
pelo INMETRO; e se há classificação de acordo
com a idade, o interesse e o nível de habilidades das crianças.
A supervisão é fundamental para manter as crianças
seguras de acidentes. Verifique se há uma equipe de monitores.
CAMINHADA
Deve haver um planejamento dos procedimentos pré-operacionais,
operacionais, e pós-operacionais.
Assegure-se de que os monitores da atividade sigam as normas de
competências mínimas de condutores da ABNT.
CICLOTURISMO
As características do percurso, bem como as dificuldades
físicas devem ser informadas ao participante. Antes do
início da atividade deve haver uma exposição,
instruindo os clientes sobre as regras de comportamento do grupo
e sobre as normas locais e de trânsito;
Deve haver avaliação quanto à dificuldade
física e técnica do percurso e do participante.
As bicicletas devem estar em constante manutenção,
com equipamentos adequados e conservados, fornecendo-se equipamentos
de segurança (capacete, luva), de uso obrigatório.
ESPELHOS D’ÁGUA / PISCINAS
Certifique da existência de serviço de proteção
com Guarda-Vidas; placas de proteção e atenção;
e se a profundidade está sinalizada.
NO MAR
Se o estabelecimento estiver localizado na orla marítima,
verifique se têm licença junto à capitania
dos portos, delegacia ou agência marítima e local
separado para embarcações motorizadas. Isto mostra
que, independentemente da responsabilidade do empreendimento,
há preocupação de que seus clientes não
corram riscos de serem atropelados por embarcações
de terceiros.
PASSEIO GUIADO A CAVALO
Por ser uma atividade que envolve animal, deve-se ter atenção
especial às características de raça e temperamento
do cavalo, pois ele pode reagir perigosamente, diante de circunstâncias
inesperadas;
Confira se há preocupação na escolha das
trilhas, dos cavalos e dos arreios, que devem estar em bom estado;
Verifique se há condutor, sua experiência e de quantas
pessoas se compõe um grupo.
Exija capacete de proteção contra quedas.
Estas são algumas dicas. Para ajudá-lo na formulação
do roteiro e avaliar se o hotel ou a pousada está dentro
dos padrões adequados de prevenção e segurança,
consulte www.feriasvivas.org.br
na página Férias Seguras.
* as autoras são voluntárias na causa social da
Associação Férias Vivas.
|