TURISMO EQUESTRE NO BRASIL: UMA ATIVIDADE QUE EXIGE PROFISSIONALISMO TURÍSTICO, E PRINCIPALMENTE "RESPONSABILIDADE PELA VIDA".
por Andréia Junqueira Arantes
Viajar para lugares distantes, conhecer novas
terras, diferentes povos e culturas são atividades que
remontam à Antigüidade. Sabe-se, que as viagens de
visitação turística surgiram com os babilônios,
por volta de 4000 a.C., mil anos depois, o Egito já recebia
turistas para contemplar as grandes pirâmides.
Segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT),
a atividade emprega uma a cada nove pessoas economicamente ativas,
criando 745 empregos/dia, com previsão para ocupar 348
milhões de pessoas até o ano de 2005, e participar
em 10,7% dos investimentos mundiais. Porém, em contrapartida,
os custos sociais e ambientais gerados pela atividade são
elevados.
Este processo de desgaste dos tradicionais produtos turísticos
está fazendo com que muitos se voltem para a construção
de um modelo turístico, ressaltando a importância
das responsabilidades ambientais, desenvolvimento sustentável
das atividades turísticas e aproveitamento consciente das
novas áreas de consumo, entre elas as, naturais e rurais.
O crescimento e fortalecimento das atividades de Turismo Eqüestre,
surge em resposta a esta verdade.
O Turismo Eqüestre tem nos eqüídeos o principal
atrativo ou, pelo menos, uma das principais motivações,
já é reconhecido em diferentes países como
um importante segmento dentro das atividades de turismo e lazer
e conta com grande e crescente número de adeptos. Pode-se
tomar como exemplo e referência, a Associação
Nacional de Turismo Eqüestre da França, que tem mais
de 200 mil sócios.
A atividade no Brasil foi introduzida por alguns poucos pioneiros,
a cerca de 20 anos, e, efetivamente, começou a desenvolver-se
de fato, há aproximadamente 10 anos. Denominadas como passeios
a cavalos, viagens a cavalo, ou ainda cavalgadas muitas operam
junto a hotéis fazenda, e outros são empreendimentos
que atuam com essa exclusiva finalidade.
Em nosso país a cavalgada turística, pelos registros
existentes, teve iniciou com o cavaleiro francês Stephane
Bigo em 1986. Depois de percorrer, montado em Mangalarga, quase
todo o sul da América do Sul. Bigo ao retornar da Bolívia
para São Paulo, de onde partiu, atravessou o Pantanal do
Mato Grosso e ficou tão encantado que, depois de concluída
a sua cavalgada, retornou àquela região para organizar
cavalgadas, ofertando diferentes percursos e tropas de animais
para turistas europeus e brasileiros.
Depois, aos poucos, alastrou-se a tal ponto que, hoje no Brasil,
é possível cavalgar nos mais longínquos pontos
do Brasil. Porém, estruturar e qualificar esta oferta,
colocando no mercado, novos produtos de qualidade, compatíveis
com nossa diversidade cultural e ambiental, e contemplar às
diferentes regiões brasileiras constituem-se num grande
e promissor desafio.
A qualidade do produto de Turismo Eqüestre, mais do que
uma vantagem competitiva é pressuposta fundamental para
o sucesso das atividades e dos destinos. Sendo assim, é
fundamental aperfeiçoar os mecanismos básicos ao
aprimoramento da qualidade de gestão da atividade e dos
serviços, bem como aplicar métodos para qualificar
e difundir esses conhecimentos. Ou seja, uma batalha pela responsabilidade
e profissionalismo deve ser para conseguirmos chegar a este padrão.
Duas parecem ser as maiores dificuldades que, se superadas, permitirão
o alavancamento da atividade em nosso país. Primeiro esta
necessidade de um maior profissionalismo por parte dos empreendedores,
que devem tratar a atividade como um negócio que exige
planejamento, investimentos na estruturação, formação
de mão de obra, cuidados com o produto e atenção
com a segurança.
O segundo item seria a maior divulgação dos produtos
para turistas brasileiros e estrangeiros. Porém, esse deverá
ser abordado em um segundo momento de discussão, pois,
agora, é fundamental formar e fortalecer produtos com qualidade,
responsabilidade e segurança antes de nos propormos a ofertar.
A segurança inicia-se pelo reconhecimento preciso do nosso
público, sua real habilidade em montar e confiança.
Também, quais as características da nossa tropa
e do equipamento ofertado.
Tanto os cavalos, como o ser humano tem suas habilidades especificas
e potencialidades, por isso lidar com essa realidade é
reunir dois elementos distintos que ao fim deve resultar obrigatoriamente
uma boa parceria.
Como ato de profissionalismo e respeito pela vida, nós,
empreendedores do turismo eqüestre, devemos reconhecer e
assumir como verdade, requisitos básicos ao bom funcionamento
das atividades turísticas, como: a preparação
adequada dos animais; a preservação pela segurança,
envolvimento de equipes treinadas, bem como, manutenção
dos equipamentos em boas condições e oferta de capacetes
de segurança, a exemplo do que acontece em distintos locais
do mundo. “Não imagine andar nos longínquos
campos da Irlanda ou mesmo nas trilhas do Chile, nos vulcões
do Equador, nas praias de Portugal, entre outros incríveis
locais do mundo, sem a oferta destes itens mínimos de segurança”.
Lembro, que sermos apaixonados pelo cavalo, é uma característica
fundamental para a composição e veracidade do produto
que ofertamos. Ë nosso “produto de origem”, porém,
tivemos que acrescentar a essa característica peculiar,
o profissionalismo turístico. Só assim, nos tornarmos
aptos a proporcionar mais que um passeio a cavalo, ou uma cavalgada,
e sim, “uma experiência única vivida”,
cheia de paradas em lugares pitorescos, lanches e piqueniques
natureza, comunidades e cultura local.
Infelizmente esse comprometimento pela qualidade e segurança
ainda não é unânime em todos os produtos de
Turismo Eqüestre no Brasil, pois, ainda estamos vivenciando
o processo de desenvolvimento da atividade, mas, acreditamos que
essa realidade venha a mudar, pois, a responsabilidade com a oferta
de qualidade e segurança, tem em contrapartida, a conquista
de um turista que reconhece o produto e percebe que procuramos
ofertar uma atividade com menor risco e cada vez com mais encantamento.
Ou seja, somente os empreendedores responsáveis poderão
concorrer neste novo mercado turístico. Aqueles que permanecerão,
certamente são aqueles que mantém o padrão
de qualidade e segurança, ou aqueles, que se propuserem
a adequar seu produto.
Andréia Maria Roque Junqueira de Arantes
Ms. Desenvolvimento e Meio Ambiente
Professora Universidade Católica de Brasília
Operadora de Cavalgadas www.cavalgadasbrasil.com.br
andreia@cavlagdasbrasil.com.br
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