ASSOCIAÇÕES DE GUIAS E CONDUTORES DE TURISMO

“O associativismo possibilita que possamos formar uma rede de profissionais treinados, atuando na maioria das vezes em ambiente remoto, levando a uma resposta rápida em situações de risco. Além, é claro, que as formações externas e internas da entidade qualificam os associados para prevenção de acidentes e não somente atendimento a ocorrências.”

Paulinho Medeiros, Associação de Visitantes do Vale do Capão

Para que seu destino turístico seja reconhecido como excepcional é necessário se atentar a questões que qualifiquem os serviços prestados no local. Apenas uma bela paisagem como atrativo não é suficiente para definir seu destino como adequado. Constituir um grupo de profissionais capacitados para a realização de atividades no local é fundamental para que a sua atividade turística seja destaque entre as demais. As Associações de Guias e Condutores de Turismo são essenciais para isso! A ACV-VC na Chapada Diamantina, por exemplo, conta com uma brigada voluntária que realiza ações de busca e salvamento em ambientes remotos, sendo de grande contribuição para a segurança dos visitantes.

As associações têm como principal objetivo uma representatividade atuante e efetiva que traga resultados no âmbito social, político, ambiental e econômico.

Grandes aliadas dos secretários municipais de turismo, as Associações de Condutores e Guias de Turismo buscam defender interesses em comum como, proteger patrimônios do destino, fomentar cursos de capacitação visando o aprimoramento dos seus associados, desenvolver trabalhos sociais ligados à educação ambiental, promover palestras públicas sobre turismo e outras necessidades individuais de cada localidade.

VOCÊ CONHECE OS CONDUTORES E GUIAS DO SEU DESTINO?

O guia e o condutor de turismo além de informar o turista sobre os atrativos e mediar o contato deste com os mesmos, se preocupa com a sustentabilidade local e a valorização da cultura. Eles são preservadores do meio ambiente e conhecedores da fauna, flora, geografia e história da região visitada. E mais importante ainda, são garantidores do bem estar e da integridade física do visitante.

O trabalho desses profissionais requer muita responsabilidade, uma vez que os turistas confiam em seu trabalho para que possam aproveitar um momento de lazer em segurança.

Durante viagens de aventura, onde se vai praticar alguma atividade específica como trilhas, é essencial fazer a contratação de um Guia de Turismo certificado ou de um Condutor capacitado pelo local. Este profissional irá organizar e fiscalizar toda a operação e ainda poderá prestar os primeiros socorros caso necessário. Você conhece a diferença entre esses dois profissionais?

O guia de turismo é um profissional que auxilia na organização da viagem, além de cuidar da condução dos turistas entre o local de origem ou aeroporto, até os diversos atrativos naturais, hotéis, museus, restaurantes e outros locais. Já o condutor ecológico é o profissional que conhece os caminhos no atrativo natural.

Os condutores geralmente recebem treinamento local e específico para cada tipo de atividade, fornecendo serviços personalizados de acordo com o destino em questão.

CONHEÇA A LEGISLAÇÃO

A regulamentação da profissão de guia de turismo e de condutor de visitantes é diferente:

Para que um profissional se torne guia de turismo é preciso atender a alguns requisitos de capacitação e de registro formal junto ao Ministério de Turismo determinados pela Lei 8.623 de 1993. O Curso de Formação Profissional de Guia de Turismo é uma exigência que equivale a

E os guias informais? O exercício da profissão de guia de maneira irregular infelizmente ainda é comum em alguns destinos brasileiros, mas tal prática além de arriscada para o turista e para a imagem do destino turístico, oferece um risco de grande penalização para o infrator. Os chamados guias piratas são enquadrados no crime específico de falsidade ideológica.

Inclusive é também infração o exercício da profissão sem portar visivelmente o crachá de identificação.

As denúncias podem ser encaminhadas à Ouvidoria do Ministério do Turismo, aos escritórios regionais, às Delegacias de Turismo (presentes em alguns estados brasileiros), às Delegacias da Polícia Civil ou no Juizado Especial Criminal. O Ministério Público também pode ser acionado, principalmente nos casos de denúncias contra empresas que contratam guias irregulares, ou seja, sem o CADASTUR.

Já o condutor de visitantes obteve o reconhecimento da sua profissão em 2015, um marco de profissionalização recebido com grande comemoração pelo setor. O cadastramento dos condutores junto às unidades de conservação e às secretarias municipais de turismo é essencial.

Além de guiar e conduzir, os profissionais de turismo devem zelar pela SEGURANÇA de seus clientes, acompanhando, orientando, e verificando o bem-estar a todo momento. Nesse sentido, o papel da associação de guias e condutores de visitantes é o de cadastrar e capacitar estes profissionais locais dentro das competências e protocolos necessários para a boa conduta da visitação.

COMO GARANTIR UM DESTINO TURÍSTICO DE EXCELÊNCIA POR MEIO DA CAPACITAÇÃO?

Entrevista com Luis Marcelo Rodrigues

Como vimos, estabelecer associações que visem representar grupos de guias e condutores demonstra responsabilidade com as ações turísticas de seu município. Padronizar serviços e identificar os profissionais atuantes na atividade turística é essencial para começar esse processo.

Para entendermos melhor sobre a formação de condutores, entrevistamos Luis Marcelo Rodrigues, Instrutor e Consultor da Nomas - Descobrir é Preciso e embaixador da Férias Vivas com larga experiência em projetos de implementação do Sistema de Gestão da Segurança para Turismo de Aventura.

Segundo Luís Marcelo, podem haver variações no material de capacitação de condutores de acordo com cada destino turístico, pois são diferentes as demandas esperadas. A individualidade desses locais caracteriza planos de estudo e práticas divergentes em cada situação.

De maneira geral, são destacadas como competências básicas de um condutor o conhecimento cultural e ambiental sobre a atividade a ser realizada e também práticas básicas sobre segurança.

Esses profissionais devem se preocupar em ter sabedoria sobre questões históricas e raízes locais da sua região de atuação, pois assim ele poderá proporcionar uma experiência hospitaleira aos visitantes. De acordo com Luís, o conhecimento sobre a fauna e flora local são essenciais em ambientes onde o principal produto é a natureza. A interpretação agracia o participante em atividades de ecoturismo.

Práticas de segurança são indispensáveis na formação de um condutor. Antes mesmo da atividade é necessário conhecer quais são os participantes a ingressarem na atividade. É esperado que restrições no processo de marketing do produto sejam claras e objetivas. A ferramenta de briefing identifica se o visitante é apto para a realização dessa atividade ou não.

 



O Curso de Competências Básicas do Condutor de Turismo de Aventura, ministrado pelo Luis, visa a capacitação de recursos humanos para os segmentos de Ecoturismo, Turismo de Aventura e Turismo Rural, alinhado com as normas técnicas da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas e ISO - Organização Internacional de Normalização. No curso é ensinado o desenvolvimento dos protocolos de conduta de maneira detalhada.

E O QUE SÃO ESSES PROTOCOLOS?

Luis Marcelo explica que os protocolos são documentos extremamente importantes para padronização de processos dentro de uma organização pública ou privada que oferecem atividades de ecoturismo ou turismo de aventura. Estes descrevem procedimentos administrativos e/ou operacionais em um só documento, ou separados.

  • Procedimentos administrativos incentivam a segurança por meio do controle da infraestrutura, recursos humanos e atendimento a clientes.
  • Procedimentos operacionais incentivam a segurança por meio de execução de ações preventivas e corretivas e manutenções de equipamentos e materiais.

Não menos importante, os protocolos descrevem ações preliminares à atividade, como fornecimento de detalhes das atividades para os participantes, como que tipo de vestimenta e equipamentos devem usar, condição física e faixa etária compatível, perigos e riscos inerentes, retenção e análise de informações deles, filtrando a capacidade de realizarem ou não as atividades.

Os protocolos devem descrever processos práticos da preleção (informações preliminares antes da atividade), como cuidados que devem ser informados aos participantes de maneira detalhada e clara, métodos de condução em um determinado local com mais oferta de perigos de maior grau de risco durante a atividade.

Claro que estes protocolos devem estar documentados, gerando um monitoramento da atividade. Vale lembrar que os protocolos são “vivos”. Eles devem ser revisados sempre, gerando um processo de melhoria contínua na oferta dos produtos e serviços.

EXPERIÊNCIA REAL | Associação de Guias do Quilombo Kalunga

Em 2019, um caso acompanhado pela Associação Férias Vivas colocou a conduta de um dos condutores associados em questão. Ele abandonou na trilha duas turistas machucadas, em um local que elas não conheciam após um acidente de proporções leves, para poder acompanhar o resto do grupo de volta à base, mas nunca voltou para resgatá-las. Quando um acidente ocorre, o guia ou condutor deve ser o primeiro a prestar socorros no local e precisa estar ciente de suas responsabilidades perante ao cliente e à imagem da Associação de Guias e Condutores. Isso nem sempre é fácil.

Graças ao importante papel da A Associação de Guias do Quilombo Kalunga, esse caso não caiu no esquecimento. Referência local na capacitação desses profissionais, a associação teve um papel importante ao levar esta ocorrência para discussão com o grupo de associados e trabalhar na sensibilização e capacitação dos condutores, reciclando conhecimentos importantes de gestão da segurança.

Entre os principais esforços da Associação de Guias do Quilombo Kalunga está qualificar profissionalmente e trazer mais segurança para o visitante. No site da organização vemos o relato da presidente Izabel Maia que resume bem este papel: “O turismo auxilia no desenvolvimento, mas precisamos ter condições e conhecimento para oferecer ao visitante um passeio com história, cultura, serviços e estrutura de qualidade. Não se trata de mostrar o caminho da cachoeira, isso é fácil. Se trata de poder conduzir com ética, respeito, segurança e informação”.

Os cursos são oferecidos há anos gratuitamente por meio de patrocínios e apoio de voluntários. A formação é extensa, com duração total de pelo menos 160 horas, e inclui na grade curricular conhecimentos sobre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, o ICMBio, história e geografia regional, turismo e sustentabilidade, normas do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, legislação ambiental e voltada para o turismo, técnicas de condução, interpretação ambiental, monitoramento de impactos, gestão de segurança, primeiros socorros e história e cultura Kalunga, entre outros. Para enriquecer o debate sobre gestão de riscos, oficiais do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás também participam para ministrar palestras e oficinas práticas.

As associações locais também possuem um importante papel de sensibilização dos turistas, principalmente no incentivo à contratação de profissionais capacitados para a visitação. Afinal, até mesmo pessoas que já são acostumadas a fazer trilhas podem se perder ou visitar sem saber áreas perigosas, mergulhar em cachoeiras com correntezas e sofrer algum acidente durante a atividade.

EXPERIÊNCIA REAL | Associação de Guias do Turismo do Parque Nacional do Catimbau

Agora veremos como o apoio das secretarias (ou a falta dele) impacta diretamente nos obstáculos enfrentados pela associações de guias e condutores locais.

Como exemplo real nós podemos acompanhar o caso da Associação de Guias do Turismo do Parque Nacional do Catimbau (AGTURC) através do artigo de estudo desenvolvido por Josilene Henriques Da Silva, Maria Luiza Lins e Silva Pires. Este estudo procura revelar não apenas aspectos de organização em torno da atividade turística desenvolvida no PNC, mas também as dificuldades enfrentadas por esta associação, dentre conflitos e tensões vivenciados entre os seus associados.

“O Parque Nacional do Catimbau (PNC) foi criado por meio do Decreto de 13 de dezembro de 2002, envolvendo parte de Ibimirim, Tupanatinga e Buíque, no interior do estado de Pernambuco.”

A partir do entendimento que o PNC possuía potencial turístico, os moradores do distrito do Catimbau perceberam a necessidade da criação do AGTURC em 2002. Essa iniciativa contou com o apoio de instituições como o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), responsáveis também pela capacitação dos condutores.

A AGTURC foi, então, criada com o objetivo de organizar a atividade de condução de visitantes na área do Vale do Catimbau, zelando pela conservação das condições ecológicas e ambientais do Parque e favorecendo a formação de renda para a comunidade, como descrito no seu estatuto. Contudo, os moradores relatam ter encontrado dificuldades no processo inicial de estabelecimento de equipe, devido ao distanciamento do poder público, a precariedade da infraestrutura logística da associação e a administração de poucos recursos, o que causou a diminuição do número de visitantes no parque.

Segundos as pesquisadoras, “o descuido com que o poder público local, estadual e federal vem lidando com o PNC, apesar do seu reconhecido valor, tem refletido na precariedade de sua infraestrutura, dificultando o estímulo à visitação e, por conseguinte, o aproveitamento do turismo como fonte de renda e melhoria da qualidade de vida para os moradores de Buíque.”

QUAL O PAPEL DA SECRETARIA MUNICIPAL DE TURISMO NESSE PROCESSO?

Dentre as diversas responsabilidades que a equipe da Secretaria Municipal de Turismo tem em seu dia-a-dia, destacamos que ouvir as expectativas e os desafios dos profissionais de turismo é uma prática que merece uma atenção especial.

É nesse momento que você consegue identificar as demandas mais urgentes e identificar quais são os profissionais com perfil de liderança alinhados com o projeto de desenvolvimento do turismo local. E como um destino turístico não se constrói apenas com hotéis e restaurantes, ouvir os guias e condutores deve entrar na sua agenda como prioridade.

Para aproveitar todo o potencial dos guias e condutores locais, é esperado que uma Secretaria de Turismo consiga antes de tudo trabalhar a valorização desta profissão. Uma solução muito buscada nesse sentido e que tem mostrado seu valor são iniciativas de capacitação subsidiadas pelo poder público.

Estas ações de profissionalização possuem um efeito duplo muito desejado tanto para os guias como para o destino:

  • Capacitados, os guias e condutores oferecem um serviço com maior valor percebido e podem aumentar sua renda.
  • Ao mesmo tempo, a qualidade do guiamento gera fidelização. Um destino com melhor nível de serviços irá atrair mais visitantes, o que faz crescer o mercado turístico como um todo.

E COMO A ASSOCIAÇÃO FÉRIAS VIVAS PODE AJUDAR?

A Associação Férias Vivas coloca em pauta argumentos para trabalhar a segurança e a prevenção de acidentes incentivando cada ator local a entregar o seu melhor em termos de preparação técnica e empatia profissional. O trabalho em rede é colocado como estratégia para chegar na excelência da experiência turística e vemos como cada profissional pode contribuir e muito nesse processo. Sensibilizados, os condutores locais são convidados a se capacitar pela Secretaria Municipal de Turismo, em um processo rico em troca de aprendizagens e de alinhamento de uma conduta local padronizada com foco em qualidade e segurança. Dentro de uma estratégia completa, a rede engajada de profissionais tem como resultado deste alinhamento a criação de protocolos que irão nortear a conduta profissional daqui para frente. Como chave de ouro, cabe à Secretaria Municipal de Turismo formalizar todo esse processo com a regulamentação em lei da Associação de guias e condutores locais.

Nós da AFV Consultoria podemos ajudar no processo de integração dos guias e condutores do seu destino, juntamente com a estratégia de segurança turística de acordo com sua necessidade específica. Nos contate para realizarmos o mapeamento de possíveis vulnerabilidades na comunicação desses agentes com a secretaria municipal, e resolução de problemas.

A AFV Consultoria oferece diversas soluções apropriadas para seu destino!

Sobre a consultoria

Silvia Basile

Constituímos, em 2002, a Associação Férias Vivas que já trabalhou na elaboração de 41 Normas Técnicas ABNT NBR de Turismo de Aventura, sendo 17 Normas Técnicas internacionais ABNT NBR ISO. Junto com embaixadores e parceiros, criamos assim padrões de qualidade e segurança nas atividades de turismo no Brasil. Em 19 anos de atuação na área de conscientização e prevenção de acidentes no turismo, esta vivência proporcionou aos consultores da Associação Férias Vivas a capacidade analítica e a experiência prática para a implantação de projetos de gerenciamento de risco em destinos de turismo. Nossa articulação com o setor público se faz eficaz ao comprovar que iniciativas de sensibilização e gestão da segurança são essenciais para o desenvolvimento responsável do turismo.

  • sbasile@feriasvivas.org.br