COMO A SINALIZAÇÃO EVITA ACIDENTES?

Sinalização turística é aquela utilizada para informar os usuários sobre a existência e localização de atrativos turísticos e de outros referenciais, sobre os melhores percursos de acesso e, ao longo desses, a distância a ser percorrida para se chegar ao local pretendido, bem como aquela que reúne os avisos referentes à garantia da segurança do usuário. Além de simplesmente existir, a sinalização precisa ter qualidade.

A sinalização turística facilita o reconhecimento e o entendimento de obstáculos e perigos que existem em empreendimentos que fazem parte da atividade turística da região. Os meios de hospedagem, parques, unidades de conservação, praias e outros locais que fazem parte da cadeia turística devem adotar a utilização de placas que alertam os turistas e visitantes.

Muitos desconhecem que a eficiência dos serviços e a garantia da segurança dos usuários dependem muito desse tipo de orientação. A informação correta orienta, auxilia e direciona o usuário de forma que ele não seja imprudente.

Em 2020, a Associação Férias Vivas apresentou os resultados obtidos em 18 anos de mapeamento da segurança turística. Foram mais de 3860 casos reais de acidentes no turismo que nos permitiram identificar onde se encontram os perigos mais comuns nas atividades turísticas e como evitá-los. Um dos dados mais alarmantes encontrados foi a constatação de que 93% dos acidentes em viagens acontecem em locais sem qualquer sinalização de risco

A partir disso é possível afirmar que sim, a sinalização pode evitar acidentes! Conheça casos reais que comprovam essa constatação.

ACIDENTE FALTA POR FALTA DE SINALIZAÇÃO CORRETA

É primordial que todo projeto de sinalização contenha a previsão de manutenção e atualização das placas. Não caia no erro de achar que uma vez instalada, a sinalização pode sair do seu radar de prioridade. De fato, intempéries e até mesmo depredação intencional podem tirar a eficácia da orientação que se está tentando passar.

Vamos conhecer um caso fatal recente, de janeiro de 2020, que ilustra bem como a sinalização de atrativos turísticos precisa ser pensada para salvar vidas.

Muito bem detalhado pelo G1, o acidente ocorreu no Parque Estadual do Rio Turvo. que recebe mil visitantes por mês no interior de São Paulo. Sem dúvida, um caso que se encaixa na categoria de acidentes que poderiam ter sido evitados com uma sinalização correta. De apenas 19 anos, Maria Fernanda Fagundes Sobrinho, foi vítima de afogamento, tendo sido levada pelas fortes correntezas do local.

A família conta que não havia placas que indicassem que no local do acidente havia uma mudança brusca de profundidade. Vale dizer que de acordo com informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP) não houve um comportamento de risco, ela estava na margem da cachoeira quando o volume da água aumentou rapidamente, e ela e uma amiga afundaram. Maria Fernanda não era do tipo de se arriscar. A família explicou que era “bem cuidadosa quando entrava na água e tinha medo de ir para locais fundos.” Ou seja, se soubesse dos riscos, não teria parado naquela parte da cachoeira.  

BOA PRÁTICA DE SINALIZAÇÃO

Agora, vejamos este outro caso que representa boas práticas no uso da sinalização quanto à prevenção de acidentes fatais. 

O sistema de resgate por ajuda de QR Code se mostrou eficaz no acidente ocorrido no Vale da Morte em Paranapiacaba O 'Vale da Morte' é um espaço na Serra de Paranapiacaba, em Santo André, muito frequentado por quem gosta de trilhas e faz a travessia em direção à cidade de Cubatão, no litoral de SP.

"As pessoas quando se perdem ou acontece alguma coisa, elas podem tirar uma foto e passar pra gente qual o trajeto que ela está fazendo. Isso facilitou demais pra gente chegar até lá", afirmou o Major Palumbo, porta-voz do Corpo de Bombeiros.

 Nesse sistema placas com QR Codes são espalhados ao longo de todo o percurso  da trilha. Dessa forma, caso algum turista se perca ou se envolva em algum acidente, a pessoa ao entrar em contato com os bombeiros pode, através de fotos, escanear e indicar à equipe do local, qual trajeto estava sendo feito no momento do ocorrido. 

Nessa ocasião, duas mulheres se acidentaram após a queda de 20 metros no Vale da Morte.Era madrugada quando o resgate foi acionado por elas. A sinalização dos Qr Codes foram responsáveis por auxiliar os bombeiros a acharem a vítima com rapidez e consequentemente salvarem suas vidas.

Portanto a sinalização não é só responsável por evitar acidentes como também pode ser a causa de muitos destes.O uso da sinalização preventiva é um fator significativo na redução de acidentes no turismo. Assim que os turistas perceberem a sinalização eles usualmente irão obedecer às regras e fazer o uso das mesmas.

Aderir o uso de equipamentos preventivos também demonstra o compromisso sobre a responsabilidade social do local em questão. Além disso, assegura defesa em alegações de negligência, ou impor negligência contributiva do reclamante se as regras não forem seguidas ou se os sinais forem ignorados em casos de acidentes.

Uma sinalização turística de qualidade garante a segurança dos usuários, assim como o desenvolvimento responsável do turismo. 

Um especialista em segurança no turismo, como nós da AFV Consultoria, podemos ajudar com o mapeamento de possíveis vulnerabilidades em seu destino e na criação de dispositivos de sinalização. Para obter um resultado eficiente na hora de investir em segurança turística, especialmente no que tange aos conteúdos informativos e de sinalização, se faz necessária uma abordagem completa de gerenciamento dos riscos locais. A AFV Consultoria oferece diversas soluções apropriadas para seu destino.

Sobre a consultoria

Silvia Basile

Constituída em 2002, a Associação Férias Vivas trabalhou na criação e elaboração de 41 Normas Técnicas ABNT NBR de Turismo de Aventura, sendo 17 Normas Técnicas internacionais ABNT NBR ISO, criando-se assim padrões de qualidade e segurança nas atividades de turismo de aventura no Brasil. Juntamente com 19 anos de atuação na área de conscientização e prevenção de acidentes no turismo, esta vivência proporcionou aos consultores da Associação Férias Vivas a capacidade analítica e a experiência prática para a implantação de projetos de gerenciamento de risco em destinos de turismo. A articulação desta entidade social com o setor público se faz eficaz ao comprovar que iniciativas de sensibilização e gestão da segurança são essenciais para o desenvolvimento responsável do turismo.

SAIBA MAIS
  • sbasile@feriasvivas.org.br